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Ciranda Cirandinha

A aventura de se ser Mãe e Mulher

4º aniversário da Beatriz

Wednesday, January 12, 2005

E quem corta este cordão?

Desde o momento que souberam que estava grávida, várias amigos que me conheciam bastante bem, tiveram basicamente a mesma reacção. “Estás grávida? Tu? Estás a brincar! Não acredito! A sério?? Porra… sempre imaginei que fosses a última pessoa a quem isso viesse a acontecer!”. Não é que não tivessem ficado contentes por mim. Ficaram foi, antes de tudo o resto, muito surpresos.

Surpresa fiquei eu também, ao constatar essa coerência de pensamentos em torno da minha pessoa. E até entendo, até certo ponto. Nunca fui do tipo caseira nem casadoira, já agora. E os amores eram muitos. Da dança à música, da fotografia aos computadores, dos cavalos e quase todos os outros bichos ao bicho homem – que também lá andava, por entre os meus amores –, das faculdades às direcções associativas, tunas e orfeões, todos eles me ocupavam muito do meu tempo. E, muitas vezes havia, que o tinha de reinventar – o tempo, digo. Tenho consciência, portanto, do meu estado de hiper-actividade, da mesma forma que tenho a certeza que o meu dia, por essa altura, tinha no mínimo 28 ou 29 horas – pelo menos!

Uns tempos passaram e eu, ainda assim, não parava. A certa altura já ia no 2º curso universitário, já trabalhava e continuava num ritmo (já só) meio acelerado. É que, parecendo que não, o trabalho rouba-nos muito do nosso tempo… Um pecado! :D

Quando engravidei estava ainda 2 anos de acabar o curso e lembro-me de pensar: Estás louca! Louca! Com o bebé a nascer em fins de Maio – senão antes –, vais andar a fazer um sacrifício doido que – com jeitinho – se torna inglório. Ainda chumbas de ano! Ao menos paravas e sossegavas este ano. Pois sim, nada disso :) Não parei. Corri ainda mais, mas sempre com um sorriso de orelha a orelha e uma vontade férrea que vinha do âmago do meu ser. E vá lá… deixei apenas uma cadeira para trás. Não parei mas mudei muito – tanto física como emocionalmente. De repente havia sido dado início a um processo irreversível, que faria de mim uma pessoa diferente do que dava a conhecer de mim até ali e eu tinha de me preparar.

Hoje em dia, são poucas as actividades extra e todo o tempo que passo com ela é pouco, mesmo que seja todo! Muitas vezes dou por mim a olhar para ela com a certeza de que um dia ela vai crescer e que o cordão inevitavelmente terá de ser cortado – até para bem dela. Dou por mim a pensar que bom seria se nunca isso acontecesse. Que bom seria se a pudesse ter assim, por inteiro para mim. Se nunca ela tivesse de sofrer e se nunca tivesse que sofrer por ela.

E queria aprisionar essas coisas só nossas. Os momentos, tal como os vejo e sinto, e que, inevitavelmente, sinto escapar-me por entre os fios dos dias que vão correndo depressa de mais.

E queria tanto, meu Deus! E tanta coisa, que acabo sempre por me sentir pequena, perante tamanho sentimento.

*** Ciranda

7 Comments:

At 10:32 AM, January 13, 2005, Blogger Margarida Atheling said...

Estou com um nó na garganta!
Eu também dava uma importância enorme a tantas coisas e depois, quando fiquei grávida, o mundo inteiro, com tudo o que existe nele, parecia uma bolinha pequenina e sem importância nenhuma ao pé daquele bem tão precioso que eu transportava! Isto da maternidade...!

O cordão terá de ser cortado, sim. Para o bem dela. Quando chegar a altura. Mas os laços e o amor não!

Aproveita bem minha amiga!

Bjs

 
At 11:43 AM, January 13, 2005, Anonymous Anonymous said...

Olá Cláudia!

Eu fui daquelas que disse "O quê? TU estás grávida"? E assisti, não muito perto mas assisti, a essa tua evolução :-). E o melhor é que tu te teonaste no exemplo que dou sempre da pessoa que evoluiu (náo acho que tenhas mudado, acho que evoluiste!) para uma das melhores mães que conheço e mais gozo me dá observar!
E eu sem dúvida gostava de vir a ter um dia uma relação como a tua com a da Beatriz...
E quando ela for viver a vida dela, pois.. faz parte. Mas não tenho dúvida que te vai levar no coração e tu vais dar mais um passo na tua evolução!

Um grande beijo, Sandra Rabbit

 
At 12:12 PM, January 13, 2005, Anonymous Anonymous said...

Oh não... não és nada pequena para esse sentimento... és grandiosa por senti-lo. Vive-o e goza-o bem. Cada momento vai se modificando, mas tu vais sempre tê-lo contigo, vais sempre ter o prazer de o sentir e viver. Porque mesmo que te pareça que o crodão vai ser cortado, na verdade ela vai sempre estar contigo, vai ser sempre a tua Beatriz.
Muitos beijos
Gracinha

 
At 1:53 PM, January 13, 2005, Blogger Contas e Cores said...

Adorei este texto, não sou mãe mas quando leio estas coisas bonitas que saem mesmo de dentro dá-me uma vontade louca de ser em breve!! Um beijinho para ti e outro para a menina Beatriz

 
At 8:01 PM, January 13, 2005, Blogger C_de_Ciranda said...

É verdade. Isto da maternidade tem que se lhe diga. Obrigada a todas pelas vossas palavras meigas. São sempre um bálsamo. E Sandrinha (gostei do Rabbit ;p)... companheira de tanta coisa, que me conheces há tantos tantos anos, obrigada pelo elogio. Soube-me pela vida caramba! ;)

Beijos a todas. Muitos! :)

*** Ciranda

 
At 3:28 PM, January 14, 2005, Anonymous Anonymous said...

Minha linda, sempre às ordens! As verdades são para ser ditas.

Um beijo e até para a semana!

Sandra

 
At 4:25 PM, January 14, 2005, Blogger Mary Poppins said...

Cirandinha, :)
Oh, como conheço esse sentimento de querer os meus filhos sempre "em mim", e parece-me que o nosso trajecto se assemelha. Tudo o que antes do nascimento dos meus filhos era grandioso, a meus olhos, tornou-se tão pequeno.
E ontem, depois de sair do médico com o meu Sebastião, exprimentei uma sensação de paz como há muito não sentia. Desde os 4 anos dele, idade em que lhe apareceu este terrível mal, que as análises nunca estiveram melhores que agora. E aí percebo, nestas pequenas vitórias, que a minha percepção está certa;) O que é grandioso é sentir esta paz e saber que eles estão bem (mesmo que isto dure pouco, e depois caímos e voltamos à tona :)), e que o resto é mesmo pequeno.

 

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